MAS AFINAL, DO QUE SE TRATA ESTE TEMA?
Na Química, um dos cenários que pode ser utilizado para estimular a aprendizagem é a cozinha, pois é nela que se prepara o alimento necessário à sobrevivência humana e se reúne a família para saborear pratos e iguarias, além de ser o palco de várias transformações físicas e químicas que muitas vezes nem se percebe. A discussão sobre a química que acontece dentro de uma cozinha pode gerar curiosidade e vontade de aprender certos conteúdos, que de um modo geral despertam pouco interesse e apresentam dificuldade tanto no ensino quanto na aprendizagem. Experimentos e recursos midiáticos, têm sido apontados como excelentes ferramentas didáticas que possibilitam um maior envolvimento, interesse e consequentemente maior entendimento de conteúdos pelos discentes (MARTIN-BARBERO, 1995; MORAN, 1995).
Nesse contexto a cozinha pode ser considerada o primeiro laboratório com o qual temos contato. Nela encontramos uma infinidade de reagentes como temperos, óleos, ácidos (como o vinagre), reagentes biológicos (como o fermento), todos disponíveis para nossas experimentações. Quando misturamos estes ingredientes, os submetemos a diferentes forças mecânicas (ao bater um bolo, por exemplo) ou a diferentes temperaturas, então conseguimos modificar sua aparência, textura e gosto para obter pratos mais saborosos e bonitos. Mas cada uma dessas transformações é definida por reações químicas e conceitos físicos ou biológicos.
Na cozinha também entramos em contato com uma forma muito própria das ciências de registrar e passar adiante os processos de experimentação que são os chamados protocolos ou procedimentos. Quando fazemos uma receita, temos ali um passo a passo que deve ser seguido: temos que misturar os ingredientes corretos, em quantidades específicas e esperar por um tempo determinado para obtermos o resultado desejado, ou seja, fazemos um protocolo ou procedimentos a ser seguido. Em experimentos científicos esse tipo de registro é muito comum, uma vez que a validação destes experimentos pelos cientistas depende da sua reprodutibilidade, ou seja, que outras pessoas possam reproduzir um experimento exatamente da maneira como foi feito da primeira vez e obter o mesmo resultado.
Segundo Moreira (2011) e Toigo et al. (2012), para que a aprendizagem de um dado conteúdo seja significativa, a nova informação deve interagir com um conhecimento específico relevante que esteja armazenado na estrutura cognitiva do aprendiz. Logo, é importante que o professor busque símbolos, conceitos, proposições, imagens, dentre outros artifícios que ajude o educando a transpor suas dificuldades e aprender verdadeiramente um assunto. Nesta busca é possível utilizar cenários comuns a qualquer tipo de pessoa e recursos dos mais variados.
Assim, o tema “A Química na cozinha” pode servir como uma ponte entre as diversas habilidades e competências de química que se pretende ensinar e os conhecimentos prévios que o aluno adquiriu ao longo de sua vida, surgindo desta interação um estímulo para aprender significativamente, além de proporcionar uma integração entre as outras as áreas do conhecimento, conforme proposto pela BNCC.