MAS AFINAL, DO QUE SE TRATA ESTE TEMA?
Na sociedade contemporânea, um dos cenários que pode ser utilizado para estimular a aprendizagem significativa é o ecossistema tecnológico e industrial que sustenta o consumo de energia da civilização. Desmistificar a ideia de que a eletricidade, os combustíveis e a tecnologia operam por mecanismos incompreensíveis — mostrando que os fenômenos não decorrem de forças ocultas ou "magia", mas sim de leis físicas — desperta a curiosidade e o interesse por conteúdos que, de um modo geral, enfrentam resistência pelos discentes. Experimentos práticos e o desenvolvimento de protótipos têm sido apontados como excelentes ferramentas didáticas que possibilitam um maior envolvimento, interesse e, consequentemente, maior entendimento de conceitos abstratos pelos estudantes (MARTIN-BARBERO, 1996; MORAN, 1996).
Nesse contexto, o estudo das matrizes energéticas funciona como um laboratório vivo. Nele encontramos uma infinidade de transformações e manifestações de energia (térmica, mecânica, elétrica, química), todas regidas pelo princípio universal da conservação da energia associado às contribuições de Albert Einstein, o qual postula que a energia não pode ser criada ou destruída, apenas transformada. Quando os estudantes manipulam circuitos, motores ou simulam painéis solares, eles compreendem na prática como a modificação de uma variável altera o rendimento de um sistema limpo ou poluente. Cada uma dessas transformações é definida por reações químicas, leis físicas ou dinâmicas biogeográficas.
Na investigação científica, também entramos em contato com uma forma muito própria das ciências de registrar e passar adiante os processos de experimentação, utilizando protocolos, relatórios e a cultura maker. Quando desenvolvemos um protótipo ou maquete funcional (como um mini-gerador eólico ou um aquecedor solar residencial), há um passo a passo rigoroso a ser seguido: dimensionar materiais, calcular proporções matemáticas e testar a eficiência do sistema para obter o resultado desejado. Em experimentações científicas, esse tipo de registro é fundamental, uma vez que a validação depende da reprodutibilidade dos dados coletados pelos discentes.
Segundo Moreira (2011), para que a aprendizagem de um dado conteúdo seja significativa, a nova informação deve interagir com um conhecimento específico relevante que esteja armazenado na estrutura cognitiva do aprendiz. Logo, é importante que o professor busque símbolos, maquetes e recursos práticos que ajudem o educando a transpor suas dificuldades e aprender verdadeiramente um assunto. Assim, o tema "Não é magia, é energia" serve como uma ponte entre as diversas habilidades de ciências e matemática que se pretende ensinar e os conhecimentos prévios que o aluno possui sobre consumo doméstico e crise climática global.